Na Contramão da História, Artigo do Colunista Balilí do site Morro Notícias, de Morro do Chapéu Bahia.
NA CONTRAMÃO DA HISTÓRIA
Estamos entrando na semana em que exatamente 146 anos atrás nascia no seio da sociedade morrense uma figura que marcou a nossa história do ponto de vista político e administrativo.
03 de dezembro de 1864, antes mesmo da Lei do Ventre Livre e da Abolição da Escravatura, nascia Dias Coelho, aquele que ao se tornar Intendente (Prefeito à época) conseguiu mudar os conceitos de uma sociedade altamente preconceituosa e que voltava unicamente as suas atenções para o presente, sem despertar nenhuma relação com o zelo pelo futuro.
Dias Coelho não.
Como Intendente da época, ele foi futurista, projetando uma cidade que se destacasse na região pela sua arquitetura, amplidão de suas ruas e principalmente ordenação no seu crescimento. Há exatamente 100 anos atrás (1910) o nosso município contava com um Código de Postura que sistematizava as nossas construções através de uma política de urbanização que tornava a cidade cada vez mais bonita e prazerosa.
Hoje, 100 anos depois o que se vê:
Uma cidade onde o espaço público é invadido de forma desrespeitosa, sem regras. Uma cidade onde o Poder Público perdeu as rédeas e não dispõe de uma política definida que normatize o nosso desenvolvimento, e o que um dia se sonhou em ser avenidas que formariam belas paisagens arquitetônicas, hoje dá lugar onde o público se confunde com o privado e as nossas ruas se fecham cada vez mais com o avanço das construções sobre o seu espaço.
Quem dera que o Plano Diretor da época de Dias Coelho fosse aplicado hoje.
Assim como no inicio do século XX, a década de 70 também foi marcada em nossa cidade pela implantação de uma obra que para aquele tempo, em que as concepções da administração moderna ainda não permeavam as nossas esferas de gestão pública, ela revolucionou os conceitos de cidade pequena de nossa região. Quem não se lembra das famosas placas de sinalização, onde em cada esquina de nossa fria e pacata cidade os poucos motoristas que existiam eram obrigados e educados a saberem em que rua estava e onde podia entrar e sair.
Hoje o nosso potencial de veículos dobrou, triplicou, e juntamente com este avanço também avançou a insensibilidade dos governantes, e o que se vê é uma cidade onde alguns velhos saudosistas, vislumbrando ainda os famosos postinhos da década de 70 nas esquinas, ainda gritam: ”Aí é contramão.” Tentando coordenar um transito caótico que não dispõe nem duma básica sinalização como forma não de coibir, mas sim de educar tanto o transeunte quanto o motorista.
Se fosse possível trazermos o famoso Coronel, conhecido como o “Diamante Negro” da Chapada Diamantina, para os dias atuais. Qual seria sua reação? Com certeza teríamos que adequar o seu famoso código de postura à realidade atual, reformulando os seus preceitos e assim, os que constroem o progresso, os que destroem a história, os que circulam nas ruas a pé ou motorizado teriam a certeza de que,não importa se no passado ou no presente,qualquer sociedade tem que ter e cumprir regras.
Acorda!!!
Não é possível transpor o passado para o presente. O presente tem que ser vivido, o passado tem que ser preservado. Quanto ao Código de Postura, já que não temos o mesmo hoje,e se temos já que não é aplicado que pelo ao menos, sigamos o exemplo de Dias Coelho há cem anos atrás.
Tenhamos Postura.
Balili
Fonte: www.morronoticias.com



